O mercado de trabalho é uma questão que exige atenção do hoteleiro, tanto em relação à manutenção de sua mão de obra, como o impacto da renda na demanda de viagens. O FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) lançou hoje (6) a Sondagem do Mercado de Trabalho, conforme divulgado na Folha de S. Paulo. De acordo com o estudo, baixa remuneração e informalidade são os destaques entre as insatisfações dos entrevistados.
Consultando 2 mil pessoas espalhadas pelo território nacional, a nova pesquisa revela, entre outros dados, o nível de satisfação com o trabalho. Em agosto, 72,2% dos entrevistados estavam satisfeitos ou muito satisfeitos com o trabalho, enquanto 27,8% se encontravam insatisfeitos ou muito insatisfeitos. Desse último grupo, 64,2% citaram a remuneração baixa um dos principais motivos e a 43%, a escassez de benefícios. Também foi citado por 23,7% a insegurança de um trabalho temporário.
Vale destacar que a insatisfação, independentemente do grau, foi maior entre entrevistados com nível de escolaridade mais baixo. Entre elas, 37,7% chegaram até o ensino fundamental, 31,9% são mulheres e 32,7% não possuem nenhum tipo de registro.
Da mesma forma, aqueles que afirmaram estar satisfeitos com o trabalho atribuíram melhor percepção de bem-estar com a vida em geral, marcando 7,9 pontos em uma escala de um a dez. Já os insatisfeitos com a ocupação atual, pontuaram apenas 6,1. A nota média ficou em 7,2 pontos.
Informalidade
Entre os entrevistados que atuam sem carteira assinada ou CNPJ, 87,7% gostaria de ter uma ocupação mais formalizada, contra 12,3% que não demonstraram esse desejo. Quanto aos que trabalham por conta própria, 69,9% gostariam de mudar de ocupação e ter um vínculo formal com uma empresa, citando rendimentos fixos (33,1%) e benefícios que as empresas costumam oferecer (31,4%) como principais motivos. Já os 30,4% que preferiam manter sua ocupação por conta própria, a flexibilidade de horário é destaque (14,3%).
“Os resultados sinalizam cautela na análise do mercado de trabalho, apesar da recuperação de vagas nos últimos meses”, pontua Rodolpho Tobler, um dos pesquisadores responsáveis pela sondagem do FGV Ibre. “Temos uma melhora quantitativa, mas a qualidade do emprego ainda não é a ideal”, avalia o economista.
Para Fernando Veloso, que também participou da apresentação da pesquisa, há uma grande preocupação com a renda baixa e uma demanda por formalização no país, mesmo com a recente queda do desemprego. “Em termos de mensagem, os primeiros resultados da sondagem mostram um grau de vulnerabilidade bastante grande”, acrescenta o economista.
Medo do desemprego
A pesquisa do FGV Ibre também perguntou aos entrevistados sobre o risco de perder o emprego ou a principal fonte de renda nos 12 meses seguintes. Aqueles que enxergam poucas chances de ficarem sem trabalho ou remuneração contam por 58,7% do total. Enquanto isso, 41,3% afirmaram que é provável ou muito provável. Esse temor foi maior entre profissionais com renda mais baixa, de até dois salários mínimos (47,5%), do que entre os que recebem acima de dois salários (20,4%).
Quanto à capacidade de se sustentar após o desligamento, 66,5% informaram ter condições de se sustentar por até três meses. Os 33,5% restantes conseguiriam bancar suas despesas por mais de um trimestre.
Entre as preocupações dos entrevistados em relação aos próximos anos, finanças foi a que apresentou o maior número de citações. “Não estar tão bem financeiramente quanto gostaria” foi a resposta de 67,6% dos que escolheram a resposta “estou muito preocupado”. Em seguida, a resposta “Minha família não estar tão bem financeiramente” foi escolhida por 61,9% dos participantes.
(*) Crédito da foto: Zanone Fraissat/Folhapress













