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Notícia de Artigo

ARTIGO: Mudanças e permanências
Notícia publicada quarta-feira, 10 de junho de 2009 - 13h12
Por Luiz Gonzaga Godoi Trigo*
 
Luiz Gonzaga Godoi Trigo
(foto: divulgação)
 

Vários autores já afirmaram que a única constante agora é a mudança. John Naisbitt disse que isso é verdade, mas em parte. Vamos aos fatos e números.

 

Na década de 1950, o empresário Enrico Mattei, fundador da petroleira italiana Eni, batizou as sete maiores empresas de petróleo da época de Sete Irmãs. Em 1973, elas eram formadas pelas seguintes empresas: Exxon (EUA), Shell (Inglaterra/Holanda), Anglo Persian Oil Co., (Inglaterra), Mobil (EUA), Chevron (EUA), Gulf Oil (EUA) e Texaco (EUA). O jornal Financial Times de Londres, atualizou a lista em 2008: Saudi Aramco (Arábia Saudita), Gazprom (Rússia), CNPC (china), Nioc (Irã), PDVSA (Venezuela), Petrobrás (Brasil) e Petronas (Malásia). Entendeu o que é o BRIC ampliado, ou seja, as potências emergentes e seu poderio econômico? Nenhuma sobreviveu ao seu tempo.

 

Agora observe a lista das dez maiores concordatas dos estados Unidos:

 

 

Ocorreram quatro grandes concordatas entre 2001 e 2002 (crise do início do século e época dos atentados terroristas) e cinco concordatas aconteceram entre 2008 e 2009, incluindo as duas grandes montadoras de automóveis e três grandes grupos financeiros, um claro reflexo da crise econômica imediata e a consequência da crise de qualidade no setor automobilístico, anunciada desde a década de 1970, quando os carros japoneses começaram a prevalecer sobre os americanos.

Para Robert Reich, ex-Secretário do Trabalho dos Estados Unidos e professor de Administração Pública na Universidade da Califórnia, em Berkeley, "a segurança no emprego é coisa do passado e a nação se tornou mais desigual. A GM era um modelo de segurança econômica e de avanço na prosperidade. Seu declínio é um espelho para o desaparecimento de ambas as coisas."

 

Mas, isso aconteceu com todas as empresas? Não. Algumas sobrevivem graças a práticas de permanente aprimoramento e mudanças para se manterem à tona em um mundo altamente volátil e sensível a modismos ou perigos inéditos e letais. Para exemplificar analisei a lista da Interbrand - www.interbrand.com -, uma empresa internacional especializada em analisar o valor das marcas globais. Suas oito listas - de 2001 a 2008 - das 100 maiores marcas valiosas do mundo podem nos ensinar algo. As quatro primeiras empresas da lista (Coca-Cola, Microsoft, IBM e General Eletric) mantiveram essa ordem de valor de suas marcas durante todos esses anos, sempre com a mesma sequência, sendo a Coca-Cola a mais valiosa do mundo, com suas 400 bebidas espalhadas pelo planeta inteiro, agregadas à marca principal. Outras empresas como Nokia, Intel, Disney e Mc Donald´s mantiveram-se entre o quinto e décimo lugar, com algumas variáveis ao longo dos anos. São as empresas "feitas para durar", no dizer de James Collins e Jerry Porras, no seu memorável livro.

 

A Ford aparecia em 2001, em 8º lugar; em 2006, estava em 30º lugar; em 2008, em 49º lugar e caindo. A Toyota apareceu pela primeira vez em 2001, em 14º lugar, para chegar em 2008 em 6º lugar. Um claro contraste entre as linhas descendente e ascendente das empresas norte-americana e japonesa. Por outro lado, o Google apareceu pela primeira vez na listagem em 2005, em 38º lugar; em 2008 estava em 10º.

 

O que significa isso tudo? As perenes mudanças das nações, empresas e instituições, em seus ciclos de ascensão e queda, mas sempre com algumas destas instituições caracterizando-se por ficarem mais tempo no pódio das glórias mundanas, graças à sua capacidade de se reinventar e criar novos produtos, mercados e tendências e à sua capacidade de entender os desafios dos novos cenários locais e globais. Sem contar como elas devem se posicionar face aos velhos problemas que exigem novas soluções, aos novos problemas que exigem as velhas soluções e os novos problemas que ainda não oferecem um equacionamento razoável. Para isso é preciso muita lucidez, sabedoria e flexibilidade mental, inclusive para avaliar com certa capacidade como será o futuro próximo.

 

Como será o mundo em 2025? Os Estados Unidos serão um under dog? Certamente não, mas dificilmente terão uma hegemonia global comparável aos anos da Guerra Fria (1947-1991). Se você quiser saber um pouco mais sobre os novos cenários do planeta sugiro a leitura do livro O novo relatório da CIA - como será o amanhã (São Paulo: Geração Editorial, 2009). A edição brasileira traz uma introdução do jornalista e historiador Heródoto Barbeiro - que poderia ser melhor editada, com menos erros -, além de algumas boas sacadas sobre países em desenvolvimento, como é o nosso caso. Há outras novidades para ler, como O segundo mundo, de Parag Khanna, que fala também sobre o BRIC (a Unesco usa o termo BRICAS, sendo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e outros países emergentes. É bom ler logo, pois a segunda década do século XXI está às nossas portas virtuais e o presente tem mostrado continuamente que não entender o passado pode significar estar condenado a desaparecer no futuro. Será por isso que a Coca-Cola está sempre inovando de acordo com as modas, ciclos e cenários regionais e globais? O que você pensa? E a sua empresa ou instituição, chegará em 2025? Espero que sim. Por via das dúvidas é bom acompanhar mais de perto essas mudanças.


*Luiz Gonzaga Godoi Trigo é escritor, pesquisador e professor associado à Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo.


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